A Revolução Ágil nas Empresas

Post escrito por: Roberto Simoes

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Categoria: Gestão Ágil

Uma revolução silenciosa está acontecendo neste exato momento e cresce exponencialmente, sem alardes, palavras de ordem ou grandes manifestações.

Aos poucos, avança nos espaços corporativos, conquistando as mentes e corações daqueles que sonham em realizar todo seu potencial, trabalhando em ambientes energizados e inspiradores, que estimulam o desenvolvimento simultâneo de produtos, processos e pessoas.

Na verdade, estou falando de um movimento de libertação, que traz novas possibilidades à todos que vivem, ou sobrevivem, sob a pressão constante de duas forças antagônicas:

De um lado, o ambiente atual de negócios, cada vez mais incerto, dinâmico e acelerado, demandando alta capacidade de adaptação, ciclos curtos de entrega e inovação contínua.

Do outro, práticas tradicionais de gestão, excessivamente rígidas, morosas e orientadas a conformidade, restringindo a flexibilidade, velocidade e potencial criativo das equipes.

As consequências desse paradoxo são conhecidas há muito tempo e podem ser observadas sob duas perspectivas:

A primeira, relacionada às pessoas, resulta em baixa autonomia, sobrecarga de trabalho, falta de transparência, estresse elevado, frustração, baixo nível de engajamento, desmotivação e alta rotatividade.

A segunda, relacionada às empresas, resulta em falta de flexibilidade, dificuldade para alcançar metas e objetivos de negócio, baixa produtividade, incapacidade de inovar e perda de competitividade.

Felizmente, para todos aqueles que ainda acreditam que o capital humano é o principal meio para o alcance contínuo e sustentável de resultados, existe luz no fim do túnel e ela foi gerada através de uma exaptação.

Sim, a grafia está correta, não é um erro de digitação. Conheci o termo há pouco mais de dois anos, através do excepcional livro de Steven Johnson, De onde vêm as boas ideias.

De maneira resumida, podemos definir exaptação como uma forma de adaptação. Algo que foi concebido originalmente para uma determinada aplicação, mas que mostrou-se eficiente em outra função ou uso.

A história está repleta de exaptações: a criação de incubadoras, a partir de chocadeiras, a invenção da prensa tipográfica, a partir de placas utilizadas para maceração de uvas, o desenvolvimento da Internet, a partir da criação de uma rede de comunicação à prova de guerras, dentre tantas outras.

Voltando ao nosso tema, refiro-me à exaptação que permitiu a aplicação de práticas ágeis de gestão de projetos, também conhecidas como Agile, em contextos de negócio.

Métodos ágeis de gestão, para quem não está familiarizado com o assunto, surgiram no final da década de 1990, inicialmente, para condução de projetos de desenvolvimento de software. Nos anos seguintes, foram adotados em larga escala pelas maiores e mais inovadoras empresas de tecnologia do mundo, principalmente, através da sua variante mais conhecida, o Scrum.

A exaptação veio logo depois, quando as práticas ágeis de gestão começaram a chamar a atenção das áreas de negócio, mostrando-se altamente eficazes quando aplicadas em contextos de grande incerteza e mudança constante, como também, para superação das restrições impostas pelas abordagens tradicionais de gestão.

Mas, apesar da adoção crescente pelas empresas, na visão de muitos, práticas ágeis de gestão não representam um novo paradigma, mas apenas mais um modismo, como muitos pelos quais passamos e que, por razões diversas, não deixaram saudades.

Essa contraposição é normal, e para explica-la melhor, vou recorrer ao físico americano Thomas Kuhn e ao seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas, que mesmo escrito há mais de 50 anos, ainda é considerado uma das publicações científicas mais influentes da história.

Kuhn afirma que todo avanço significativo, em qualquer área de conhecimento, é originado a partir de uma mudança de paradigma. Ele define paradigma como uma estrutura intelectual que torna a pesquisa possível. Mas para defender-se do surgimento de uma nova estrutura, o próprio paradigma passa a limitar resultados e novos conhecimentos. Entretanto, quando são encontradas anomalias que não podem ser explicadas através do paradigma vigente, ocorre uma revolução científica, algo como um período de crise ou transição, até que um novo paradigma seja proposto. Daí em diante, inicia-se uma contenda entre os seguidores do novo paradigma e os defensores do anterior.

Sem sombra de dúvida, nos encontramos exatamente neste ponto. Vivemos uma disputa pelo futuro da gestão nas empresas.

De um lado, estão aqueles que acreditam que o mundo não é mais o mesmo. Que defendem a adoção de uma nova filosofia de trabalho, sustentada pela transparência, níveis elevados de comprometimento e colaboração e aprimoramento contínuo.

Do outro lado, estão aqueles que acreditam que é possível enfrentar os desafios do mundo atual, através da manutenção de modelos de liderança e gestão, concebidos há mais de um século.

Acho que não preciso dizer para qual lado estou torcendo. E você?

 

Roberto Simões

Consultor de Gestão

 

 

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